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Sobre consistência e regularidade

Oi. Achou que eu não voltaria mais com esta série sobre produção de conteúdo, certo?

ACHOU ERRADO, AMADA!

Mas em uma coisa você está certíssima: eu não devia ter feito o que fiz contigo. Comecei com uma regularidade quase diária, sumi sem avisar, e com isso traí sua confiança. Você não sabe mais o que esperar de mim.

Bom, vamos estabelecer os parâmetros da nossa relação aqui, então? Enquanto eu tiver assunto, prometo aparecer pelo menos uma vez na semana. Duas, se eu estiver com tempo sobrando.

E este é nosso aprendizado #1 desta semana: você NÃO precisa entregar conteúdo todo dia, mas precisa, sim, ter consistência e manter uma regularidade que sua audiência consiga prever.

Claro, nas redes sociais o ideal é estar presente diariamente, várias vezes ao dia. Mas nem sempre você tem tempo pra produzir ou verba pra pagar alguém pra fazer isso. Aliás… nem sempre você tem ASSUNTO. E se não for pra entregar conteúdo útil para sua audiência, é melhor nem entregar. Senão é perda de tempo (seu, de produzir algo que não tem relevância), de dinheiro (porque você poderia estar usando seu tempo precioso para atividades remuneradas), de energia, e produz um monte de lixo digital.
Existem umas periodicidades que funcionam e não enchem muito o saco, a saber:

  • E-mail: de uma vez por semana a uma vez por mês. Mais do que isso, apenas se for algo realmente útil para seu público-alvo – uma promoção irresistível de algo que sua audiência CERTAMENTE precisa. Promoções cheias de gatilhos mentais para tentar convencer sua audiência da relevância de algo inútil que você vende a preços exorbitantes ou aqueles webinários sarapa em sequência que todo mundo já sacou que são funil de venda de fórmula de lançamento de algum produto raramente entregam conteúdo útil. Aliás, se precisa de “gatilhos mentais persuasivos” pra convencer alguém, dificilmente é útil.
  • Blog: tanto faz, o blog é seu, mas tente alimentá-lo pelo menos quinzenalmente. Ao menos tente. Tentar não custa.
  • Instagram, Facebook e LinkedIn: diariamente. Se não der pra fazer diariamente, umas duas ou três vezes na semana é ok. Uma vez na semana é pouco, porque a menos que o post tenha engajamento durante a semana inteira, ele vai perdendo visibilidade – e até você voltar a ter relevância pode demorar.
  • YouTube: depende seu canal é sua mídia principal ou se é apenas mais uma mídia de suporte a conteúdos espalhados por aí. Se for apenas suporte, ok, cuide das outras redes. Se for seu principal ponto de contato com seu público, tente publicar ao menos semanalmente e num dia e horário fixo.
  • Twitter: não há limites, mas muitos tweets seguidos podem floodar a TL do cidadão. Se forem sobre assuntos correlatos, tente organizá-los em uma única thread.
  • TikTok: não há limites.
  • Stories no Instagram, Facebook e Snapchat: não há limites. Pode fazer quantos quiser, diariamente. Se possível, use também este recurso no Instagram para promover também seus próprios posts e vídeos do IGTV – assim, quando o engajamento estiver começando a cair, você vai lá e reativa a audiência.

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Hoje, 1º de outubro, é o Dia Internacional do Café.


E para você esta data pode não ser importante, mas pra mim tem um significado especial: café é fonte de alegria, energia e amor. Café não julga. Café está sempre ali quando precisamos. <3

E eu só sei disso porque me dei ao trabalho de montar O MELHOR calendário de conteúdo. Não apenas datas comemorativas, mas também dicas diárias do que postar, com base em comportamentos da audiência; alertas para início de planejamento de campanhas; alertas para e-mail marketing; alertas, alertas, alertas!

Levei um tempão para montar isso, mas valeu cada segundo.

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aprendizado #2 é: não faça que nem eu, que passei a semana passada inteira pedindo desculpas pelos e-mails duplicados. ORGANIZE A P**** DO SEU MAILING.

Aproveite e segmente seus contatos para entregar conteúdos específicos para cada grupo. Ter uma gestão de clientes e de prospects nunca é demais. Aliás: ter uma gestão de clientes e prospects é FUNDAMENTAL. Imagine que você SABE quando o produto que você vendeu está acabando. Ou que você lembra que já está novamente na hora do seu cliente começar a pesquisar fornecedores para um determinado evento. Ou que você tem todos os aniversários à mão. Se você não fez isso ainda, faça. Faça logo.

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A gente tem que se reinventar todo dia

Todo.santo.dia.

O mercado está instável, sempre tem um moleque que faz o que eu faço pela metade do preço (ainda que o meu valor seja alto, porque eu entrego resultados), e na real nem eu quero fazer trabalho meia-boca pra compensar preço baixo.

Eu já expliquei aqui: prefiro te contar como funciona meu trabalho e te dar subsídios pra FAZER como eu faço, ou pelo menos pra fazer parecido, pra conseguir melhorar suas vendas, sua visibilidade, começar a ganhar ALGUM dinheiro e poder terceirizar sua comunicação (aí você me contrata. Ha ha. Ha ha). Ou pra você que já trabalha com isso, mas tá #SemTempoIrmão, e precisa dar um jeito de melhorar esse fluxo de criação aí.

Então resolvi fazer isso presencialmente também. Por enquanto é só aqui em Niterói, mas com passagem e um lugar amigo pra ficar, posso ir pra qualquer lugar do mundo.

Segue a agendinha:

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Gostou do que leu aqui? Compartilhe, compartilhe como o vento!

Como entregar conteúdo para sua audiência sem prejudicar seu trabalho. A dica 4 é maravilhosa!

Opa.

Estamos de volta nesta série sobre produção de conteúdo, com este maravilhoso título cata-clique de site sensacionalista.

Lembra que comecei falando do básico do básico – a definição de público-alvo? Eu tinha planejado uma sequência – começar dando noções de marketing, falando de marketing de conteúdo, inbound marketing, planejamento, objetivos de marketing, curadoria – e QUER SABER?

Desisti. Vamos logo ao que interessa: se você não encontra tempo para atualizar seu site e redes sociais porque você é uma pessoa super atarefada, vamos resolver isso AGORA:

1) Separe um tempo só para isso

Você tem duas horas na segunda-feira de manhã? Na sexta à tarde? No domingo à noite? Cara, são só duas horinhas. Tire duas horas por semana pra isso. Amiga, isso é seu marketing. São suas vendas que estão em jogo. É sua reputação, é sua construção de autoridade. Duas horas de uma só vez não vão acabar com sua semana. Você vai produzir conteúdo para a semana INTEIRA. Isso não vai prejudicar o andamento do seu trabalho – pelo contrário, isso faz parte do seu trabalho.

Inclusive quando você tiver um pouco mais de prática, pode blocar 5h da sua agenda pra produzir um mês inteiro.

Claro que isso não vale para conteúdo urgente. Para notícias quentes. Para novidades. Para conteúdo que apareceu do nada. Mas aí é algo extra, você compartilha direto no Facebook, Twitter, LinkedIn ou stories em 5 minutos, e deixa pra fazer a análise no seu momento de produção semanal ou mensal.

O que importa é: tire um tempo APENAS para isso. Já expliquei aqui que produzir conteúdo é MUITO importante. Reserve este tempo. Vai ser melhor para seu negócio do que mais uma reunião.

(se você paga alguém pra fazer isso por você, não vai pensando que “opa, meu social media só leva duas horas pra produzir conteúdo, vou pagar menos ou exigir mais”, não. Lembre-se que seu social media precisa aprovar este conteúdo contigo. Precisa refazer. Precisa atender a demandas específicas suas. Precisa arrumar o vídeo ou as imagens que você quer. Precisa pesquisar sobre um assunto em que você é que é o especialista. VAMO COM CALMA AÍ)

2) O que vem primeiro? O texto ou as imagens?

O texto. FALO COM TRANQUILIDADE.

Primeiro que cada peça de conteúdo precisa ter um objetivo atrelado. Pode ser vender algo, agendar reuniões, reforçar o branding, atrair visitantes, informar sua audiência, entreter sua audiência… (tá vendo por que eu deveria falar de marketing antes? Ha ha). Então fica muito mais fácil você partir da legenda, do roteiro e do textão, escrever tudo de uma só vez, e só aí procurar as imagens adequadas.

O contrário – ver uma imagem bacana e pensar numa legenda interessante – costuma ser mais demorado.

Ok. Você é designer. Você trabalha com fotografia. Seu negócio é imagem e você quer postar um trabalho recente. Faça isso. Mas te garanto que pensar antes na legenda e a partir daí escolher uma imagem adequada facilita demaaaaissss seu processo. Acredite.

3) Tenha um banco de hashtags

Posts diferentes terão tags (no site, no YouTube) e hashtags (nas redes sociais) diferentes. Mas há aquelas hashtags fixas que têm a ver com o seu negócio. Já deixe todas separadas. É só copiar, colar, e acrescentar as específicas daquele post.

Lembre-se, no entanto, de sempre rever suas hashtags. Você sabia que o Instagram tem hashtags banidas? São hashtags que até funcionavam, mas alguém fez caquinha e postou o que não devia com elas. Então o Instagram diminui o alcance do post com aquela hashtag. É chato ficar rastreando periodicamente, pesquisando sempre, mas é necessário.

4) Reaproveite

Você é melhor escrevendo textões, gravando vídeos ou fazendo posts curtinhos?

Sou do textão!

Se você consegue escrever um texto enorme de uma só vez, escreva e publique no seu blog.

A partir daí, picote este conteúdo em partes! Este conteúdo pode render diversas citações que você pode publicar ao longo da semana nas suas redes sociais.

Ou pode ser publicado em parágrafos, também nas redes.

Ou pode virar vários posts no blog de uma vez só (com a vantagem de permitir links de um para o outro).

E ainda pode virar roteiro para um vídeo – acabando, assim, com o problema de não saber o que falar no vídeo.

Eu faço vídeo, vagabundo é a…

Então faça o vídeo.

O vídeo também rende diversas citações.

Os stills do vídeo podem virar imagens para outras redes.

Trechos do vídeo podem ser compartilhados.

Aliás, você pode postar seu vídeo no seu blog. Pode transcrevê-lo e postar em modo texto ou enviar por e-mail para seus assinantes.

Quer dizer: uma única peça de conteúdo pode ser desmembrada em várias.

Prefiro escrever pouco, mas ir direto ao assunto

Outra maneira ridícula de aproveitar conteúdo é postar no Twitter, tirar um print e centralizar numa story (desculpa, só consigo chamar ‘story’ no feminino) com um fundo qualquer (use o Canva pra isso).

Com a story salva, você reaproveita a imagem num post quadrado para os feeds do Instagram e Facebook.

Pronto.

“Não ter tempo” não é mais desculpa pra não criar conteúdo.

“E para publicar isso tudo? Tenho que publicar diariamente?”

Buffer. É gratuito até três redes sociais diferentes ou três páginas na mesma rede social. Planoly. Só pra Instagram (aí você deixa o Buffer pro LinkedIn e Twitter, já que o Facebook tem o recurso nativo de programar posts em páginas).

Ainda tem outras questões, como “preciso achar assunto, e que ainda por cima seja relevante”, “Mas tenho que postar todo dia?”, “Tá, já sei produzir conteúdo mas não tenho estratégia”. Calma. Vamos resolver isso.

Qual é a SUA questão?

Me conta. Quero te ajudar.

***

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Quer tentar falar com todo mundo ao mesmo tempo? BOA SORTE.

Enquanto escrevo este post, estou aqui tomando uns goles de kombuchá, que é uma bebida probiótica – ou seja, que contém bactérias “amigas”, que ajudam a sintetizar vitaminas, proteger o organismo, equilibrar a flora intestinal, entre vários outros benefícios.

Kombuchá geralmente vem em garrafas de vidro, demora dias para fermentar – e, justamente por isso, ainda que você ache em qualquer loja de conveniência, mesmo a garrafinha mais barata não custa menos de R$ 12 – porque é um processo demorado. Agora imagina os artesanais, sem o esquema de distribuição da líder do mercado. Agora imagina os artesanais que investem em projeto de branding, marketing… porque tem artesanal que você cola um adesivo na garrafa e pronto, mas tem artesanal que é lindo de morrer.

Então imagine que você quer vender kombuchá artesanal.

Se você não tem como distribuir pra fora do seu bairro nas condições que o produto exige (não pode sacolejar, deve ser sempre gelado), nem adianta tentar falar com todo mundo. Também não adianta tentar falar com quem não tem entre 12 e 22 pila pra dar numa garrafa de 300ml de uma bebida não alcoólica que ninguém conhece. Também não adianta muito tentar vender pra quem não liga para coisas saudáveis. Porque, convenhamos, refrigerante vem bem mais e é bem mais barato.

Então você nem deve falar pra todo mundo. É perda de tempo, de dinheiro e de esforços. Pode posicionar o produto para um público de alto poder aquisitivo SIM, pode botar uns carinhas com cara de hipster no Instagram, pode vender em estúdio de pilates que cobra 300 pila a mensalidade. Refine BEM esse público aí, porque esse teu produto não é pra qualquer um.

No meio do processo, é claro que vai ter gente do mundo inteiro desejando seu produto. Deixa. Vai ter gente de todo o mundo querendo fazer caravana para a sua cidade pra tomar seu kombuchá, vai ter proletário deixando de tomar refrigerante por uma semana pra experimentar seu kombuchá.

Pois bem, eu tomava meu kombuchá enquanto lembrava de quando eu trabalhava na comunicação de um órgão público de fomento de audiovisual, lá pelos idos de 2010. Lá, presidi duas bancas de avaliações de projetos, tive acesso a projetos maravilhosos e outros nem tanto, e um deles me chamou tanto a atenção que até hoje me lembro como referência do que não fazer na hora de definir seu público-alvo.

Era um filme costurado por canções de uma certa banda de rock brasileiro dos anos 80. O filme intercalaria cenas dos protagonistas na juventude, nos anos 80, e na idade atual. Era um drama, se bem me lembro. Para “pessoas de todas as idades, classes A, B, C e D”.

O cara já começou o projeto errado.

O filme CLARAMENTE não era para todas as idades, ainda que fosse de classificação livre, e muito menos para as classes A, B, C e D – é só ver quem tem dinheiro para ir ao cinema hoje em dia.
Enfim, o produtor já começou o projeto errado e, obviamente, não me convenceu de que seria capaz de fazer um longa-metragem, se não sabe nem definir o público-alvo do seu projeto.

E por que eu estou contando isso aqui?

Porque para entregar conteúdo relevante para sua audiência, você precisa refinar sua audiência.

Seu produto ou serviço tem um preço. Tem um local de abrangência. Seu produto ou serviço resolve alguns problemas de alguns grupos de pessoas, seu produto ou serviço tem uma história de como foi criado.

Mas sem saber exatamente quem é sua audiência, você não vai saber que histórias eles gostam de ouvir.

Se você já tem redes sociais do seu negócio, já pode começar fuçando gênero, idade e local de residência dos seus seguidores nas estatísticas do Instagram e do Facebook. Também pode (deve!) levantar quem são as pessoas que mais interagem com sua marca e stalkear mesmo, para tentar traçar um perfil detalhado do seu público. Você pode enviar uma pesquisa para seus clientes. Tudo isso funciona melhor do que tentar adivinhar – ou, pior: jurar de pés juntos que sabe quem é seu público, mas não conseguir se comunicar com eles.

Assim que você definir exatamente quem é seu público-alvo – incluindo dados demográficos, geográficos, socioeconômicos e comportamentais, você estará no ponto para começar a entregar conteúdo relevante para essas pessoas.
TÁ ANOTANDO TUDO ISSO E RESPONDENDO POR ESCRITO, CARAI?

Não dá mole, isso é praticamente a introdução do seu plano de marketing.

Lembre-se também de anotar:

  • Que lugares (físicos ou digitais) eles frequentam, porque você vai ter que comparecer nestes locais para que sua mensagem seja vista.
  • Quais as dores dessas pessoas? Falta de tempo? De dinheiro? De paciência? Querem mudar o mundo? Como seu produto ou serviço pode resolver a vida delas, ou pelo menos algum desses problemas? Porque, bicho, ninguém tá comprando nada de bobeira, não. Pensa bem como você vai entregar conteúdo que resolva a vida dessas pessoas.

De verdade.


A gente tem que começar pelo básico. Talvez você já saiba tudo isso que eu tenho a dizer, mas é minha obrigação te falar isso – e você, de fazer o dever de casa. Mas pode ficar tranquilo que ao longo das próximas semanas teremos dicas bem úteis pra você que já passou desta etapa. Fique esperto. Se quiser receber novidades direto na sua caixa de e-mails, assine o informativo neste link.

MAD e o que uma revista de humor tem a ensinar sobre marketing

Chegamos ao meio do ano, e você já deve ter recebido uns cinco ou seis e-mails de newsletters que você assinou um dia na vida (pra baixar um conteúdo gratuito – quem nunca, né?) sugerindo não apenas que você faça uma retrospectiva do primeiro semestre, como também que você se planeje para atingir as metas do ano nesta segunda metade.

Eu sei que a gente tem que ver com ceticismo tudo o que a gente lê na internet, mas tá certo o coach e o empreendedor digital desta vez.

Mas hoje eu queria falar de outra coisa.

Eu queria falar de uma revista de humor que anunciou seu fim.

Vai lá, faz um chá, senta que o texto é grande – mas eu juro que vale a pena.

via GIPHY

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Talvez você não tenha lido a revista MAD, mas provavelmente já viu muitas capas:

Bem, eu devia ter uns 11 ou 12 anos quando era MUITO fã da MAD. Eu colecionava a MAD brasileira. Mais ou menos nesta idade, eu tinha um primo que trazia muamba do Paraguai. Uns lápis fofos, umas borrachinhas coloridas. Eu revendia prazamiga na escola e ganhava uns trocados. Também vendia por alguns centavos uns desenhos lindos que eu fazia e coloria. Quando fui aos Estados Unidos com meu avô aos 13 anos, fiz questão de trazer um exemplar da MAD gringa porque, né? A MAD. Veja bem: eu vender desenhos e muamba do Paraguai não caracterizou trabalho infantil em nenhum momento, porque tive uma infância privilegiada e porque aquilo nunca pagou as contas de casa. Sim. Não adianta falar de marketing e empreendedorismo sem falar de privilégios, mas isso já é outro papo.

Voltando à MAD. O humor da MAD era meio chulo, mas tinha um ou outro quadrinho bem interessante. O humor da MAD sempre fez troça de políticos de situação, sempre teve sátiras de produtos e eventos da cultura pop mainstream. A versão brasileira deixou de ser publicada desde 2017. Já a versão norte-americana, com uma trajetória que já dura quase 70 anos, acaba de ter seu fim próximo decretado. Escrevi um pouco sobre isso no Célula POP. Vai lá ler.

Enfim, eu nem lia mais a revista, mas seu fim leva a uma reflexão sobre novas formas de consumo de mídia. Muita gente culpando “a caretice das novas gerações”, mas as mudanças nas tecnologias de consumo de mídia têm papel MUITO MAIS RELEVANTE neste fim de ciclo.

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Faz uns 2, 3 anos, soube de um jornal brasileiro bem conhecido fechando as portas. O editorial deixava bem claro que a culpa era “da crise econômica”. Um jornal bom, de qualidade, porém com um site ruim e um projeto de “digitalização” que era um plugin de leitura de pdf não otimizado para celulares.

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Não dá pra menosprezar uma crise econômica. Mas dificilmente uma crise econômica acontece da noite para o dia. Assim como esta crise no consumo de mídias, que se estende há pelo menos uns 20 anos, desde quando as tecnologias digitais tornaram possível o compartilhmento de arquivos diretamente entre usuários. O Napster fez a indústria fonográfica rever o formato CD, o torrent fez a indústria audiovisual rever seus modelos de licenciamento e explorar mais o vídeo por demanda como plataforma de lançamento, a digitalização de livros ainda obriga o mercado editorial a se reinventar com as plataformas de leitura digital.

O público da MAD é jovem, nos Estados Unidos. 

O público da MAD não desgruda os olhos do celular. 

O público da MAD está no no Tik Tok, no Instagram e no Snapchat. O público da MAD curte youtubers jovens e joga jogos online. O público da MAD está mais voltado a livros do que a quadrinhos. O público da MAD curte mais Netflix, que é por demanda, do que assistir ao Warner Channel (a MAD é propriedade da DC Comics, que por sua vez é propriedade da Warner). O público da MAD gosta mais de interagir com o conteúdo do que de consumir passivamente.

via GIPHY

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A MAD, por trás da aparente falta de seriedade, tinha uma mensagem bem clara, emprestada do escritor Timothy Leary: “pense por você mesmo e questione autoridades”. As sátiras, as tiras, as dobradinhas, tudo na revista era feito no sentido de fazer aquele jovem questionar o que é consumido na mídia, na indústria, na política.

Podemos tirar duas coisas muito interessantes daí:

1) Independente de qual é o seu nicho de mercado, você precisa ter muito claro:

  • Quem é seu público-alvo.
  • Onde este público-alvo está.
  • Que mídias consome.
  • Como consome.
  • Que linguagens essas pessoas assimilam melhor.

E traçar uma estratégia para atingir essas pessoas.

Levar conteúdos úteis e relevantes, empacotados de forma que essas pessoas queiram acessar, nos canais que ela frequenta. Isso é marketing!

“E o que eu ganho com isso? Não é perda de tempo escrever um monte, gravar vídeos, dar conteúdo gratuito?”

Eu já disse aqui que não. 1: generosidade vende. 2: conteúdo produzido é sempre um ativo trabalhando a seu favor.

É óbvio que essa produção não precisa tomar um super tempo da sua atividade remunerada, especialmente se essa produção de conteúdo for difícil pra você, de alguma forma.

Não precisa de textão.

Uma imagenzinha feita no Canva e um texto curto de dois parágrafos.

Um link interessante.

Agende o envio.

Simplifique.

Mas leve sua mensagem até seu público. Mande por e-mail. Por Whatsapp. Publique no site, no Instagram, no Facebook ou no Twitter. Quebre um conteúdo grande em 5 pedaços. Faça um vídeo.

Mas faça.

Quando você não leva sua mensagem ao seu público – e, ao invés disso, simplesmente espera que ele chegue -, ele talvez nunca saiba o que você tem a dizer.

A outra lição é a seguinte:

2) Não invista recursos no que não traz retorno

Longe de mim dizer que você só tem que fazer na vida o que dá dinheiro. Logo eu, a rainha dos hobbies não-remunerados!

Retorno pode ser em prazer, em felicidade, em equilíbrio mental, tá? O conceito de retorno é MUITO AMPLO.

Isto posto, a Warner não quer investir na MAD, que é uma propriedade da DC (Detective Comics). E a DC está reformulando até a Vertigo, que é um dos seus melhores selos. A DC deu à Warner os melhores personagens e levou um banho da Marvel/Disney na hora de construir um *universo* com seus personagens. Imagina se a Warner vai investir na MAD, com toda a honra que uma revista com tanta história merece? Era pra ter app com os quadrinhos, era pra continuar a MAD TV no YouTube, era pra ter canal da MAD no Snapchat, era pra ter youtuber adolescente histérico comentando as tiras da MAD, era pra ter dobradinha sei lá como, mas se eles quisessem, teriam feito.

Não queriam.

Preferem investir no que dá retorno em vez de investir recursos para tornar rentável uma propriedade de nicho que foi negligenciada ao longo dos últimos anos.

É triste pra gente, que é saudosista.

Mas não vou me preocupar.

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E mesmo com tudo isso que eu te disse, lembre-se da mensagem que a Revista MAD pegou emprestada de Timothy Leary e adotou como lema: “pense por você mesmo e questione autoridades”

Pode me questionar. Adoro.

Um grande beijo e até a próxima!

Como fazer seu conteúdo trabalhar para você

Oi!

Quanto tempo!

Há um tempão atrás, publiquei este lindo e-book sobre elaboração de projetos.

E, veja você: agora, mais do que nunca (especialmente se você for da área de cultura), você precisará reformular seus projetos e pensar mais em marketing. O que você vai oferecer para seus clientes, ou melhor, seus investidores, para convencê-los de que eles precisam apoiar seu projeto?

Você precisa atribuir valor ao seu projeto (ou ao seu produto. Ou aos seus serviços), de forma que compradores/investidores/apoiadores/clientes queiram se associar a ele, independente de ter ou não edital ou lei de incentivo.

E o valor, na verdade, não é algo concreto. É o preço, mas também é a percepção da relação custo-benefício. Então, não basta apenas definir o preço ou as cotas de patrocínio: você precisa convencê-los dessa relação custo-benefício. Geralmente, oferecendo algo em troca.

É um baita desafio. Eu já cantava essa bola antes: edital é legal, mas não dá pra depender de edital. A gente nunca sabe quais serão as políticas públicas para a área, ou os investimentos em editais de fomento.

A gente nunca sabe o dia de amanhã.

E o amanhã chegou. 🙁

Talvez você precise rever seu modelo de negócios. Talvez precise rever seu orçamento. Suas parcerias.

Mas talvez você também precise se promover melhor.

(minha amiga Carolina Barros pode te ajudar a se promover na internet, se você precisar)

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Veja bem: você tem um projeto maravilhoso, mas quem vai botar dinheiro nele talvez não saiba bem quem você é, o que fez antes ou se é capaz de entregar o que prometeu. Talvez seja seu primeiro projeto. Ou produto. Ou você esteja começando a vender seus serviços. Só anexar o currículo não adianta muito: “nossa, como assim ela fez tudo isso e eu nunca ouvi falar?”.

Sim. Se você for uma pessoa conhecida no seu nicho de atuação, fica muito mais fácil encantar seu cliente.

Não é à toa que quando uma marca quer vender um produto, ela apela para os influencers – aquelas pessoas super conhecidas que vendem qualquer coisa só de aparecerem no Instagram.

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Não estou dizendo para você fazer selfie na praia com a legenda “meu escritório é na praia #sextou #galera” pra vender seu produto. Bem, se for pertinente, também não vou dizer pra você não fazer. 😉

Mas você pode e deve se posicionar como autoridade no seu nicho de mercado.

Como?

Bem, eu posso apostar que você já conhece seu nicho de mercado. Que você é boa no que faz. Que você se dedica, que você estuda, que você sabe bem o que está fazendo.

Mas se ninguém souber disso, é como se você fosse o gato de Schrödinger.

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Ou aquela árvore que caiu, ninguém viu, não ouviu e ninguém sabe se caiu mesmo.

Quer ser vista como autoridade? O conteúdo que você publica no seu site, redes sociais e outros materiais de contato com seu cliente ou investidor pode te ajudar – e muito!

  • Seu currículo é muito bom, mas já experimentou contar sua história?
  • Já experimentou mudar a maneira de contar sua história, de modo a gerar conexão com sua audiência, e também a reforçar sua expertise?
  • Entregue conteúdo útil com consistência, e não apenas promovendo seus produtos ou serviços. Se der pra promover seus produtos e serviços, melhor ainda. Mas este conteúdo precisa ser útil.
  • Por útil, quero dizer que este conteúdo precisa resolver problemas da sua audiência.
  • Sim, você precisa saber quais são esses problemas.
  • Você também precisa saber onde seu público está. Centralize seus esforços em poucas plataformas. Pra que usar uma super estrutura de produção de vídeos se seu público estiver majoritariamente no Twitter, por exemplo?
  • Alimente suas redes sociais com conteúdo de qualidade, criando uma base de fãs e seguidores.
  • O conteúdo não é só o que você quer publicar, mas também o que seus fãs querem ver.
  • Por redes sociais, inclua também suas redes sociais offline: trabalho, faculdade, igreja, grupo de estudos, família, aula de dança… não tenha medo de dar conselhos e ajudar as pessoas por medo delas aprenderem a fazer tudo sozinhas e não quererem te contratar. Se você for boa mesmo, você vai ter clientes.
  • Dê presentes – materiais gratuitos para baixar, aulas online, descontos…
  • De preferência, presentes que seu público possa espalhar por aí. Pois aí sua marca será divulgada de graça.
  • Enxergue sua “concorrência” como potenciais parceiros. Porque é isso mesmo que eles são.
  • Divulgue quem faz um bom trabalho.
  • Colabore com outros projetos similares aos seus. Especialmente na internet, você pode escrever para outros sites, oferecer um seminário como bônus no curso digital de alguém em quem você confia, assinar um projeto em conjunto com alguém.
  • Lembre-se que a generosidade compensa.
  • Por último: nunca pare de estudar e de aprender. Renove-se. Recicle-se.

O que você não pode é desistir. Não agora.

Neste momento, a gente precisa resistir.

Vamos nessa. Conte comigo. Bora bombar esse negócio aí, colega.