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A arte de comunicar

 Se você me conhece, sabe que nos fins de semana sou cantora (de jazz, dixieland e afins) e desenvolvo um trabalho com dança e fitness usando bambolês. Durante a semana, a performer dá lugar à consultora de comunicação e conteúdo. Mas a performer dá mesmo lugar à consultora de comunicação? Ou apenas tira o glitter do rosto e usa umas roupas mais discretas?

Comunicar bem é uma arte (especialmente quando a arte é um ofício, pois requer, sim, estudo, treino e dedicação full-time). Para comunicar, espalhar e amplificar mensagens e ideias, tem que dominar técnicas e instrumentos bastante específicos; tem que saber amplificar direito, para não dar ruído nem microfonia; tem que ganhar a audiência nos primeiros cinco minutos, tem que fazer o espetáculo completo, mas também tem que deixar um gosto de “quero saber mais”; tem que inovar, apresentar novidades, conhecer e experimentar novas tecnologias, mas tem que usar o tradicional e já testado se for mais adequado; tem que engajar a audiência, tem que interagir; tem que pensar no visual e em como a mensagem vai ser embalada; tem que ser humano.

Tem que conhecer bem seu público; tem que ter empatia; tem que comunicar com sinceridade, amar o que faz e acreditar na mensagem que você passa; tem que ter segurança sobre a mensagem que você passa, e saber se você quer levar ao maior número possível de pessoas ou se prefere uma audiência mais qualificada; tem que ajustar o tom pra não desafinar.

Pensando bem, a performer só trocou o palco por documentos no google drive, reuniões no skype e apresentações em powerpoint, mas a ideia é basicamente a mesma. E na hora de fazer uma apresentação, dar uma aula ou palestra, é praticamente a mesma coisa, mas com uma maquiagem bem mais discreta. Ou não, já que as aulas de canto ajudam muito a colocar a voz e a respirar melhor, e o bambolê… o bambolê é sempre um prop interessante numa palestra… ou você já viu palestrante rodando bambolê? 😉

 

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É investimento

É investimento

“What is good for the environment, often also makes good business sense”.

Não sou eu que tô dizendo. É Thomas Lindhqvist, professor associado na Universidade de Lund, na Suécia. Quer dizer: você pode achar que mudar seus processos de produção e consumo de energia sai caro agora (afinal, tem que investir em reciclagem, reaproveitamento, instalar painéis solares, etc etc etc). Mas a médio e longo prazo, representa economia. É INVESTIMENTO. Pra você e pro meio ambiente.

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Como você cuida da sua saúde no trabalho?

Como você cuida da sua saúde no trabalho?

Sou workaholic. Sou produtiva. Penso rápido. Disperso com tanta facilidade que adotei uma série de ferramentas para me tornar uma pessoa 100% focada no trabalho, e aconteceu que virei um daqueles tratores de tarefas.

Um daqueles tratores de tarefas capazes de passar dois anos sem marcar uma consulta médica, que só percebem que tem algo errado quando vão para o hospital.

No meu último emprego, além do hiperfoco e da mania de não deixar nada pendente para o dia seguinte (afinal, era muita demanda, né? A gente sai fazendo…), tinha o agravante da outra cidade – ou seja: só o tempo que eu levava indo e voltando pra minha casa era o suficiente para não conseguir fazer mais nada da vida. Pra marcar um médico no meio da tarde era toda uma negociação de horários, porque eu era responsável por muitas coisas. O ideal era ser no final do expediente, mas o último horário era às 17h. E eu me atrasava porque fechava o que tinha que fazer. Que pira.

Aí saí de lá e me prometi, do fundo do coração, que não entraria nessa pira de novo. Que não negligenciaria minha saúde. Continuo um tratorzinho. Produtiva, criativa, hiperfocada. Mas na minha saúde, ninguém põe a mão.

Já contei pra vocês: emprego em Niterói oferece salário de estagiário, então tirei um CNPJ, montei um site oferecendo meus serviços e, junto com “explicar o que é consultoria em comunicação”, preciso explicar também que não, gente, freelancer não tem essa liberdade toda de fazer seus próprios horáriosDepende dos horários de reunião que o cliente pode. Depende dos horários de banco. Depende dos horários de todo mundo. Depende até do horário que seu marido sai pra trabalhar, porque o despertador é um só, e se você sair pra ir pra praia de manhã, ele NÃO vai entender que você só foi à praia de manhã porque vai abrir mão do horário de almoço – porque, dependendo do cliente, você precisa prestar contas de horário,sim -, e vai jogar na sua cara o resto da vida que ele trabalha e você vai à praia. 

E isso porque ir à praia, geralmente, significa uma venda de bambolê e uma nova aluna. Ou seja: é trabalho.

É, realmente, uma coisa linda, a vida de freelancer.

Mas, agora, o escritório é meu. E eu trato a minha funcionária – que sou eu – como eu gostaria de ser tratada: podendo marcar médico a qualquer hora do dia. Podendo meditar a qualquer hora do dia. Porque sem saúde ou qualidade de vida não tem trabalho de qualidade pro cliente.

Se eu não sei exatamente o dia que vou receber, minha saúde é prioridade, e isso inclui ir ao dentista, ginecologista, angiologista e endocrinologista quando eu bem entender (ou melhor, quando eles tiverem horário).

Se eu não vou receber rescisão quando meus serviços não forem mais necessários, eu vou tirar almoço de duas horas SIM (depois eu compenso).

Até porque se eu não recebo ticket refeição, eu vou cozinhar a minha comida. E vai ser uma comida saudável e fresca, então vou ter que tirar duas horas mesmo, para ir ao mercado, para cozinhar. Não, não vou me alimentar de miojo. Não todo dia. 😉

Se eu não recebo hora extra, vou começar a trabalhar às 9h, sim. E isso inclui acordar às 7h30, porque eu preciso de uma boa noite de sono. E se eu tiver que acordar antes, que seja pra cuidar da minha saúde.

Porque sem ela, não tem conteúdo de qualidade, consultoria de projetos e nem planejamento de comunicação pra cliente nenhum.

E como eu faço questão de manter a qualidade do meu trabalho e entregar o melhor para meus clientes, posso abrir mão de um monte de coisas, mas não de manter corpo e mente saudáveis.

(e ainda tem a bicicleta, que me leva pra qualquer lugar até o Centro do Rio)

Se você trabalha por conta própria, inclua sua saúde nos seus não-negociáveis.

Se você emprega pessoas, entenda que um funcionário ausente durante uma tarde por semana é muito menos prejudicial ao seu negócio do que um funcionário de licença por estresse.

E se você trabalha empregado por alguém, tire uns minutinhos para alongar. Negocie um tempinho com seu chefe pra cuidar da sua saúde. E se seu chefe for inflexível, esse emprego não é pra você.

Afinal, quais são os seus não-negociáveis na vida? Do que você não abre mão de jeito nenhum?

E como está sua saúde?

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Freelancer não tem que ser precariado

Freelancer não tem que ser precariado

As altas cargas tributárias, no Brasil, podem fazer com que os custos de contratação de um funcionário full-time sejam equivalentes ao salário oferecido ao profissional – o que custa, ao empregador, pelo menos duas vezes mais do que ele investiria se contratasse um freelancer.

Muitas empresas, hoje, contratam profissionais com CNPJ, por projeto, de acordo com a demanda e com o perfil do profissional. É uma relação boa pra quem contrata, e que pode ser boa para quem é contratado, se você souber gerenciar essa relação direito. Hoje, você, profissional contratado, tem a vantagem (que não tinha há dez anos) de não precisar de contador e não precisar abrir formalmente uma empresa: você pode ser MEI (Micro Empreendedor Individual). E, embora as categorias disponíveis pareçam operacionais demais, é possível, sim, ser MEI em trabalhos criativos ou de consultoria. Lembre-se que você pode adicionar até 15 categorias secundárias, e nelas pode estar o que você faz. Não, o SEBRAE não te informa direito que “promoção de vendas” não é apenas panfletagem, mas inclui também a criação da campanha (que você, publicitário, faz), e que a categoria “promoção de eventos” inclui toda a parte de PRODUÇÃO.  

(Isso é especialmente útil para você, jornalista que rodou no último passaralho da redação. Porque você pode ser editor de livros, revistas e de listas de dados não especificadas anteriormente; mas se olhar bem, pode até ser instrutor de cursos)

A vida de freelancer possibilita certas liberdades, como trabalhar de um café e fazer seus próprios horários. Sim. Mas se você não gerenciar BEM sua rotina e não souber cobrar suas horas de trabalho como você merece, periga ser tão ou mais escravo do que era no escritório. Porque no escritório, você batia ponto de 9h às 18h. Você não recebe férias nem 13º. Você não tem plano de saúde. Receber hora extra? Pffff. Previdência? É por SUA conta.

Amigo freela: você pertence ao que a jornalista, professora e secretária do Ministério da Cultura Ivana Bentes chama de PRECARIADO COGNITIVO.

E, amigo, se você for depender de achar um emprego formal que pague o aluguel do seu apartamento em Copacabana, você está simplesmente ferrado.

A relação de trabalho freelancer é FRÁGIL, e vai sempre pesar para o elo mais fraco da corrente: você, que precisa do trabalho.

Você precisa:

  1. Aprender a cobrar pelas suas horas.
  2. Proteger seus direitos e deixar muito claro quais são seus deveres com um contrato.

e a parte que parece mais complicada, mas não é:

3. Vender o seu trabalho de forma a gerar uma percepção de valor. Porque isso que você faz, todo mundo faz. Se você vier muito cheio de condições, seu contratante vai chamar aquele outro freela que cobra metade do que você cobra – porque quer ganhar experiência, porque precisa MUITO da grana e não sabe que também tem direitos (quando você encontrar esse cara, dê um pescotapa nele por mim, porque é ele que, aceitando condições precárias de trabalho, estabelece um padrão abaixo do decente pra você), ou simplesmente porque faz muito mais rápido e em menos horas do que você, e por isso mesmo cobra baratésimo por algo que você quebra a cabeça pra desenvolver.

O que não dá é pra continuar desvalorizando seu trabalho. Que são horas da sua vida.

Você já economiza uma grana de taxas. Você já não recebe um monte de direitos e benefícios. Se pra pagar suas contas e tirar um mês de férias você precisa trabalhar seu dia inteiro e virar noite e trabalhar seu fim de semana, pelo menos um plano de saúde esse seu contratante deveria dar.

Bora profissionalizar essa relação profissional aí. E bora ajudar a empoderar o coleguinha. 

Sabe esses três passos acima (aprender a cobrar pelas suas horas, proteger seus direitos e gerar uma percepção de valor para seu trabalho)? Clique aqui e assine a lista para receber algumas dicas no conforto da sua caixa de e-mails. Não esqueça de adicionar o endereço lounge42.com@gmail.com na sua lista de contatos.

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O lado bom da crise

O lado bom da crise

Crise? Tá tendo (e eu diria que é causada mais pelos preços absurdos dos imóveis do que por qualquer outra coisa – afinal, quanto estão cobrando no aluguel de uma sala comercial ou de um imóvel residencial, mesmo?).

Mas tudo bem. Tudo bem MESMO. Acho que a crise é uma oportunidade para aprender a pensar diferente, a ser criativo. De que outra maneira poderíamos inovar, pensar em soluções criativas e alternativas low-budget pra resolver desafios? Usar a cabeça faz bem.

Crise- Eu gosto da crise. A crise

Posted by Lia Amancio in Blog
A incrível história do CEO que equiparou os salários da empresa inteira ao seu próprio

A incrível história do CEO que equiparou os salários da empresa inteira ao seu próprio

A essa altura você já acompanhou a história do CEO que reduziu seu salário milionário para poder aumentar os salários de TODOS os colaboradores da empresa, dando o MÍNIMO de US$ 70 mil por ano, o que convertido em reais dá cerca de R$ 210 mil, que dividido por 12 meses dá mais ou menos R$ 17,5 MIL.

Se você ganha R$ 17,5 mil, você TÁ BEM. Você vive MUITO de boa. Você pode financiar um imóvel, você pode viajar, você pode guardar para a aposentadoria, você pode reformar a casa, você pode sustentar o cônjuge e os filhos, permitindo que alguém fique em casa com as crianças, você é RICO. Rico de verdade. Ao mesmo tempo, você não é TÃO rico a ponto de levar uma vida de milionário, de ter os estresses que milionários têm, as preocupações de gente excessivamente rica.

É um valor muito próximo do salário ideal para ser feliz, segundo um estudo já manjado da Universidade de Princeton. Eu até seria muito feliz com metade disso. Mas com esse salário, você só precisa se preocupar com grana se for muito descoordenado da realidade.

Um colaborador que recebe algum tipo de reconhecimento trabalha motivado. Esse salário poderia ser motivação suficiente. Mas Dan Price, CEO e dono da Gravity Payments, fez muito mais pela empresa: reduziu o SEU próprio salário de CEO para poder nivelar o de todo mundo por cima.

Acho, apenas ACHO, que isso que ele fez pode ser muito revolucionário, em dois sentidos:

  • Os colaboradores NÃO vão trabalhar todos os dias com a sensação de que estão trabalhando pra enriquecer alguém (poucas coisas são mais desmotivadoras do que o gap salarial de um analista, que rala pra caramba, e de um diretor, que também rala pra caramba, mas que vai tirar férias na Europa, manda os filhos pras melhores escolas. Aliás, nem precisa ser com o diretor: o gerente, em geral, ganha MUITO mais que seus subordinados)
  • Sim, existe uma hierarquia baseada em níveis de responsabilidade. Um gerente ganha melhor porque é responsável por uma área inteira, e seu diretor ganha ainda mais porque é responsável por várias gerências, e por aí vai. O que ele fez foi botar todo mundo no mesmo barco. Você é tão responsável pelo sucesso da sua área (e pela manutenção do seu emprego) quanto seu gerente. Há uma grande possibilidade aí de todo mundo trabalhar com o mesmo empenho e dividir melhor as responsabilidades, já que os salários são equiparados. Enquanto dono, ele possivelmente vai lucrar mais com esse passo. Vai ser bom pra todo mundo, então.

Não sou eu que estou dizendo. Quer dizer, acredito nisso por uma série de fatores, mas é a própria OECD que diz que a desigualdade salarial (aquele gap entre quem ganha mais e quem ganha menos) é uma barreira para o crescimento econômico.

Dan Price fundou a empresa aos 19 anos, para ajudar empresas independentes a receberem pagamentos. Em 2010, aos 26 anos, foi homenageado por Barack Obama por seu espírito empreendedor e sucesso da empresa. Em 2014, Price foi eleito empresário do ano para a revista Entrepreneur, e já tinha um estilo de gestão bastante polêmico – por ser legal com seus funcionários, adotando uma política de “pode tirar o tempo que você precisar pra resolver sua vida sem ter seu salário cortado”. O que ele alega é que o colaborador trabalha muito melhor sabendo que seu emprego não está em risco se você precisar ir ao médico ou cuidar da sua mãe doente. Existem umas correntes de gestão, e eu só não posto aqui porque é um artigo que li há muito tempo e não achei agora pra linkar, que prega que empregador não é babá, e não tem que ficar controlando horário de funcionário.

É difícil. Porque sempre vai ter aquele cara que abusa. Mas, aparentemente, no geral, o benefício é auto-regulável entre os próprios funcionários, que vão se controlar pra não tirar mais tempo que o colega, e que vão entender que cada caso é um caso. Pra evitar abusos, o funcionário pode ter que se reportar a um superior, ou talvez você precise implementar uma gestão por metas e métricas bem definidas (mas, por favor, não impossíveis de serem cumpridas durante o horário de trabalho, senão não adianta nada dar um tempo pro caboclo!).

* * *

Bom, enfim, Dan Price tem um estilo de gestão que, aparentemente, é adequado para nossa época. Dan Price não tem medo de ousar. O rapaz faz questão de dizer em toda entrevista que o principal valor da empresa é a preocupação com o cliente. Vale ficar de olho na evolução da Gravity Payments nos próximos meses. Sim, há toda a publicidade que a Gravity Payments está recebendo com a novidade, e isso influencia no faturamento. E também há o fato de que empresários estão torcendo secretamente para que essa ideia naufrague, senão vai virar moda. Considerando que a desigualdade social no mundo é um problema grave, suponho que diminuir a desigualdade de renda no próprio ambiente de trabalho seja um primeiro passo para a des-concentração da renda. Requer uma mudança de mentalidade que quem está torcendo contra não quer ter – ninguém quer mexer na sua fatia do bolo e dividir com quem faz seu negócio acontecer.

Vamos acompanhar. Eu aposto que vai ser bom. Que o faturamento da empresa não será indecente, mas que há de prosperar nos próximos dois anos, se as coisas correrem normalmente, sem algum fator fora da curva que ameace o negócio, claro.

Ficarei de olho.

Posted by Lia Amancio in Blog, Gestão empresarial
Sobre criatividade

Sobre criatividade

Curti demais essa publicação sobre criatividade. Resolvi compartilhar com vocês:

 

Posted by Lia Amancio in Blog
Duas ou três coisas que a vida me ensinou sobre trabalho

Duas ou três coisas que a vida me ensinou sobre trabalho

Duas ou trêsEsbarrei com esse artigo bacana, “O que Berlim me ensinou sobre trabalho”, escrito pela Debbie Corrano, que junto com o Felipe Pacheco tem um site ótimo, o Pequenos Monstros. Não conheço nenhum dos dois, mas gostei do que li. 🙂
O artigo fala de trabalho. Dessa cultura de valorização do tempo no escritório – se você entra às 8h e sai às 17h, nego te olha torto, porque vai ter gente saindo às 19h (ainda que essas mesmas pessoas tenham entrado às 11h). Vai ter gente que vai trabalhar mais que você, que vai ser recrutado pra trabalhar fim de semana, que não chega cedo mesmo porque sabe que não vai sair antes das 20h do escritório, e gente que poderia te ajudar a terminar seu trabalho a tempo de não precisar fazer hora extra, mas fica no Facebook a tarde inteira. Vai ter gente solícita, gente que se fode junto com a equipe, e gente que procrastina até o último minuto, vai embora e deixa o trabalho pela metade.

E eu concordo com a Debbie que chegar cedo e sair tarde é uma perda de tempo. Daquele tempo precioso que poderia estar sendo investido em você mesmo, na sua saúde. E concordo que, como os alemães, poderíamos arrumar empregos que exigem menos, não para ficarmos ricos, mas apenas para termos tempo (e, eventualmente, podermos até transformar nosso tempo livre em dinheiro).

Mas todo esse tempo no mercado de trabalho no Brasil mesmo – sem precisar ir tão longe – me ensinou algumas coisas:

– Aprendi que empregos que dão mais tempo livre não pagam o suficiente para pagar o aluguel. Não tou dizendo “ah, não quero ficar rica, posso trabalhar em algo básico”. Tou dizendo que são raríssimas as vagas de emprego de 8h por dia que pagam mais de R$ 2.500, o que, convenhamos, numa cidade grande não dá pra nada. Especialmente se você mora de aluguel ou já saiu da casa da mãe. Nas capitais você tem a opção de passar mais algumas horas do seu dia fazendo uma pós, melhorando seu currículo, aumentando seu salário e ainda assim você não vai ficar rico. Já em cidades menores é isso aí, as empresas querem pós, inglês fluente, experiência em tudo (ou quase) e oferecem salário de recém-formado. “Olha, eu SEI que posso entregar resultados fabulosos pra sua empresa, já que faço isso há mais de dez anos e já trabalhei em empresas de vários portes”. “Infelizmente, o salário é esse”. Nas entrelinhas, o que o cara diz é “não vou investir em pessoal qualificado, não. Só preciso de um garoto pra fazer as mídias sociais, porque a estratégia de comunicação está sendo elaborada pelo meu sócio, que é graduando em engenharia”. Ou seja: difícil arrumar esse emprego “médio”.

– Veja bem, estou falando de emprego. Você pode ser um empreendedor genial, automatizar sua renda, fazer trabalho remoto de qualquer parte do mundo. Mas o emprego, emprego mesmo – aquele onde você cria capital para outra pessoa – costuma ser esse fiasco.

– Também aprendi – graças a Tutatis, não na prática – que nem sempre os empregos que deixam mais tempo livre vão exigir menos de você. Bancários, por exemplo, trabalham 6h. Mas a pressão é terrível. Operadores de telemarketing também – e, ainda por cima, terceirizados, sem benefícios, com uns salários de merda. Veja bem, não quero ficar rica (mentira, quero sim). Mas exploração tem limites – pra mim. Pra empregadores de certos nichos, não.

– Descobri que o trabalho é, sim, baseado em getting things done. Pelo menos o meu é, e o de muita gente boa que conheço, que já saiu muito de casa às 6h pra pós e só chegou às 21h depois do trabalho, que já pediu muita pizza na agência, que já teve muito táxi reembolsado pela firma porque naquele horário não tinha mais ônibus. O problema é que quanto mais você entrega em menos tempo, lá vem MAIS trabalho. E MAIS trabalho. Você consegue entregar seis textos bons por dia, umas artes fenomenais, resolve tudo, é pau pra toda obra. Você está especialmente produtivo naquele dia. E é isso que vão esperar de você pro resto da vida. Sabe aqueles dias (ou semanas, ou meses) difíceis, que a inspiração falta, que a concentração tá falha? “Fulano está performando abaixo do esperado”. “Por que não batemos nossa meta este mês?”. Pois é.

Difícil – mas não impossível – é achar esse equilíbrio. É o não ficar nenhum minuto de bobeira, mas não se sobrecarregar. É difícil. Difícil MESMO. Mas acho que pode ser possível – só ainda não consegui, tendo a não saber dizer não – e, ao dizer não, não conseguir sustentar que não é não e eu preciso da minha saúde. Mas não tenho orgulho disso.

Apesar da premissa de tentarmos fazer como os alemães ser completamente inviável aqui no Brasil – muito por conta da desvalorização completa do emprego “médio”, a ideia é boa e gera reflexões: até onde estamos vivendo para trabalhar, até onde estamos trabalhando para viver?

O que você acha?

Posted by Lia Amancio in Blog
O que é a economia do compartilhamento?

O que é a economia do compartilhamento?

Acabei de ler um ótimo artigo sobre a economia do compartilhamento, abordando desde o compartilhamento de informações e conhecimento, até o compartilhamento de transporte, as cooperativas e coletivos.

“É impossível ser feliz sozinho”, já dizia o poeta, e algumas soluções para problemas comuns de empresas estejam aí: nas parcerias estratégicas, em admitir que não dá pra abraçar o mundo, pra atuar em diversas frentes, mas quer é viagem construir uma rede de parceiros onde cada um faz o que faz melhor.

E isso é lindo? Sim! Mas arriscado, pois não há uma cultura do compartilhamento, não há políticas públicas nem um sistema legal que incentive a modalidade. Legalmente, como se  incentiva a cooperação? Como se dividem os lucros, caso trate-se de cooperação entre empresas? Compartilhar é dividir responsabilidades. Dá perfeitamente para incentivar modelos de cooperação, mas tem algumas variáveis envolvidas: é mais do que necessário manter os pés no chão e todas as partes protegidas, estabelecendo direitos e deveres; e trabalhar bem a questão da gestão da informação (como transmitir o conhecimento de uma empresa a outra, ou de um colaborador para o outro?).

No mais, estamos vivendo uma era de excessos – excesso de consumo, excesso de gastos, excesso de tributos, excesso de lixo produzido (não consigo não considerar isso também). Se compartilharmos recursos (e dividirmos responsabilidades e tarefas), chegaremos lá.

Leia mais aqui: http://civic.mit.edu/blog/hidenise/peer-economy-keep-it-real-to-catalyze-the-sharing-economy

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Posted by Lia Amancio in Blog
Quer fazer apresentações incríveis?

Quer fazer apresentações incríveis?

Bom, então você quer apresentar seu produto, seu projeto ou fazer uma palestra. Seguir a máxima do “menos é mais” é fundamental. Imagens, gráficos e ilustrações também, mas há que se ter um equilíbrio – um bom designer pode orientar a apresentação. Mas e aí? Você está sozinho, não tem um padrão, não tem uma pista?

O Slideshare, esse grande repositório de apresentações, pode ajudar: o site publicou recentemente as estatísticas do que foi publicado em 2011: qual é a média de slides por apresentação? Que apresentações fazem mais sucesso entre os usuários do site? Como são essas apresentações? Quais são os segredos das apresentações mais populares?

Veja por você mesmo:

http://www.slideshare.net/rashmi/slideshare-zeitgeist-2011/

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Saber o que todo mundo está fazendo é bom. Não necessariamente você vai copiar ou se inspirar em trabalhos alheios, mas é sempre bom saber o que já fizeram antes, o que funciona, o que não funciona e o que pode funcionar se mudar aqui ou ali.

Nossas apresentações, depois do Slideshare Zeitgeist, agradecem.

Posted by Lia Amancio in Blog, Destaque home