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As crianças existem e estarão em casa

Permitir home office para quem pode é lindo, fechar o comércio por duas semanas e entubar o preju é investimento, fazer rodízio e fornecer máscaras pra quem PRECISA funcionar (setores de alimentação e farmácias) é o mínimo, mas o #coronavirus  é uma oportunidade para a sociedade repensar como cuidar das nossas crianças.

As crianças estão em casa.

Os pais em homeoffice não podem largar uma criança de dois anos na frente da tevê das 9h às 17h. Os pais que não podem trabalhar de casa nem sempre podem levar as crianças para o trabalho. Nem sempre há rede de apoio, e precisamos mais do que nunca preservar nossos idosos (esquece “deixar com a avó”).

Está na hora de todo mundo que “valoriza a família” valorizar também a família dos outros. É pra reduzir jornada sem prejuízo do trabalhador. É para dar licença remunerada para quem tem filhos. Não é pra exigir que as pessoas trabalhem como se não tivessem filhos.

Quando essa pandemia acabar, quem sabe empresários e donos de negócios parem de exigir que a gente finja que as crianças não existem.

“Ah, ele está com a avó”
“Eu deixo na creche das 7h às 19h”
“Ela pega o celular e fica o dia inteiro vendo desenho, tão boazinha!”

São só duas semanas em casa. Eu sou otimista. Acredito que a gente vai conseguir repensar nosso sistema de produção e trabalho considerando que crianças existem e precisam de conexão com as famílias. Que o “horário flexível” não seja só discurso, que as visitas ao pediatra sejam prioridade, que sair no meio do expediente porque o menino teve febre não precise de negociação.

E que, num caso sério como uma pandemia, os pais possam cuidar de seus filhos.

Não é gasto, empresário.

Cuidar das nossas crianças é investimento.

Music Thinking – uma abordagem diferente

Você certamente já ouviu falar de design thinking – mas e music thinking, você conhece?

Que tal pensar como músicos?

Uma empresa na Holanda resolveu criar uma nova abordagem para trabalhar processos de inovação: o music thinking. Com a ajuda de cartões, os participantes são instigados a refletir em seus processos sobre conceitos como improviso, níveis de complexidade, repetições, colaboração – entre outros.

Bem interessante!

Quando não estou trabalhando pela sua comunicação, estou comunicando mensagens em forma de música

Parece besteira “pensar como um músico” (bem, todo mundo conhece pelo menos um músico que vive no mundo da lua, não é mesmo?), mas a verdade é que praticar um instrumento musical pode trazer foco, disciplina e melhorar o raciociocínio lógico; além do trabalho em grupo e liderança; e se apresentar em público faz maravilhas pela sua capacidade de comunicação. Não é besteira. A música, quando levada a sério, traz inúmeros benefícios. Duvida? Assista a este vídeo (tem legendas em português):

Clique aqui e veja uma demo dos cartões de Music Thinking: https://issuu.com/bis_publishers/docs/music_thinking_jam_cards

Saiba mais: http://musicthinking.com

Sobre inovação, mudanças e autenticidade – sobre David Bowie

Morreu David Bowie. E talvez os amigos de vocês sejam como os meus, que encheram suas redes sociais de homenagens a um dos maiores artistas pop do século XX – e que trouxe o século XXI ao século XX mais de uma vez. E se seus amigos não ligaram muito – nem você -, eu explico. Se ligaram, e se você também foi um dos que homenagearam o homem das estrelas que caiu na Terra, fica aqui mais um pouquinho. E me abraça. 🙂
Para além de suas canções, David Bowie foi uma inspiração nos quesitos INOVAÇÃO e AUTENTICIDADE em negócios, sim. Porque a música no século XX, gente, é um negócio. É arte, e a dele era MUITO arte, mas não dá para negar: música é negócio. Na dúvida, leia este artigo da Superinteressante, sobre como o próprio Bowie levantou US$ 80 milhões negociando músicas no mercado financeiro. Vamos combinar que arte é negócio também?
Bowie desafiou convenções de tempo, espaço e gênero, cantando sobre astronautas nos anos 1960, criando personagens, se vestindo em technicolor quando a TV acabava de ficar colorida e se reinventando a cada disco – não apenas seguindo tendências, mas FAZENDO a tendência. Ajudou a derrubar o muro de Berlim, fez literatura cyberpunk (e transformou em disco e em artes plásticas), lançou single pela internet e fez streaming de show em plena era de internet discada, e criou seu próprio provedor de internet para poder distribuir conteúdo sem restrições para seus fãs. PARA PODER DISTRIBUIR CONTEÚDO. ONLINE. SEM RESTRIÇÕES. PARA SEUS FÃS. E até dois dias antes de morrer, estava ali, lançando disco. Como se não bastasse, sabia que ia morrer e fez o que? Fez arte.
Primeiro, deixou este vídeo, praticamente um curta-metragem:
Something happened on the day he died
Spirit rose a metre then stepped aside
Somebody else took his place, and bravely cried.
 Depois transferiu sua “alma” para outro corpo – o musical “Lazarus”, onde Bowie é substituído pelo ator Michael C. Hall, é, segundo a Rolling Stone, “uma reflexão de duas horas sobre luto e esperança perdida”. E numa performance para TV de divulgação do musical, o que ele faz? Faz este texto, dando a entender que David Bowie vive, agora, em outro corpo. E quem executa é Michael C. Hall.
Na sequência, Bowie nos presenteia com esta pérola:
E parte de volta para as estrelas.
A lição que fica pra gente, além de não ter medo de inovar, é a de ser você mesmo. Sim, você pode criar personagens, mas você vai continuar sendo David Bowie. Porque assumir personas é necessário na vida. Você pode ser artista plástico, músico, escritor, chef de cozinha, e vai ter que ser homem ou mulher de negócios – porque este é o seu negócio, não é? Você pode ser ícone queer, drag queen, dançarina burlesca, e pode ser pai e mãe de família com um casamento sólido, porque uma coisa não tem nada a ver com a outra e o que você faz no palco é uma coisa e em casa é outra. Você pode ser o que você quiser e se sentir confortável com isso e fazer disso uma carreira. Você pode explorar suas multipotencialidades combinadas, e ainda fazer disso um negócio.
“Ah, mas ele era David Bowie”. Olha, por sua biografia, seus pais eram pessoas bem normais – filho de uma garçonete e de um promotor de vendas, viveu num subúrbio de Londres, mas estudou arte. E levou a sério seus estudos. E começou a fazer o que gostava antes mesmo de começar a estudar formalmente. E levou a sério, e transformou em carreira. E ele colou em quem podia ensinar algo, absorveu com disciplina e virou David Bowie.
Eu posso. Você pode.
Nos podemos ser como David Bowie: nós podemos ser nós mesmos. Nem que seja por um dia.
E bora abraçar mudanças:

O lado bom da crise

Crise? Tá tendo (e eu diria que é causada mais pelos preços absurdos dos imóveis do que por qualquer outra coisa – afinal, quanto estão cobrando no aluguel de uma sala comercial ou de um imóvel residencial, mesmo?).

Mas tudo bem. Tudo bem MESMO. Acho que a crise é uma oportunidade para aprender a pensar diferente, a ser criativo. De que outra maneira poderíamos inovar, pensar em soluções criativas e alternativas low-budget pra resolver desafios? Usar a cabeça faz bem.

Crise- Eu gosto da crise. A crise

A incrível história do CEO que equiparou os salários da empresa inteira ao seu próprio

A essa altura você já acompanhou a história do CEO que reduziu seu salário milionário para poder aumentar os salários de TODOS os colaboradores da empresa, dando o MÍNIMO de US$ 70 mil por ano, o que convertido em reais dá cerca de R$ 210 mil, que dividido por 12 meses dá mais ou menos R$ 17,5 MIL.

Se você ganha R$ 17,5 mil, você TÁ BEM. Você vive MUITO de boa. Você pode financiar um imóvel, você pode viajar, você pode guardar para a aposentadoria, você pode reformar a casa, você pode sustentar o cônjuge e os filhos, permitindo que alguém fique em casa com as crianças, você é RICO. Rico de verdade. Ao mesmo tempo, você não é TÃO rico a ponto de levar uma vida de milionário, de ter os estresses que milionários têm, as preocupações de gente excessivamente rica.

É um valor muito próximo do salário ideal para ser feliz, segundo um estudo já manjado da Universidade de Princeton. Eu até seria muito feliz com metade disso. Mas com esse salário, você só precisa se preocupar com grana se for muito descoordenado da realidade.

Um colaborador que recebe algum tipo de reconhecimento trabalha motivado. Esse salário poderia ser motivação suficiente. Mas Dan Price, CEO e dono da Gravity Payments, fez muito mais pela empresa: reduziu o SEU próprio salário de CEO para poder nivelar o de todo mundo por cima.

Acho, apenas ACHO, que isso que ele fez pode ser muito revolucionário, em dois sentidos:

  • Os colaboradores NÃO vão trabalhar todos os dias com a sensação de que estão trabalhando pra enriquecer alguém (poucas coisas são mais desmotivadoras do que o gap salarial de um analista, que rala pra caramba, e de um diretor, que também rala pra caramba, mas que vai tirar férias na Europa, manda os filhos pras melhores escolas. Aliás, nem precisa ser com o diretor: o gerente, em geral, ganha MUITO mais que seus subordinados)
  • Sim, existe uma hierarquia baseada em níveis de responsabilidade. Um gerente ganha melhor porque é responsável por uma área inteira, e seu diretor ganha ainda mais porque é responsável por várias gerências, e por aí vai. O que ele fez foi botar todo mundo no mesmo barco. Você é tão responsável pelo sucesso da sua área (e pela manutenção do seu emprego) quanto seu gerente. Há uma grande possibilidade aí de todo mundo trabalhar com o mesmo empenho e dividir melhor as responsabilidades, já que os salários são equiparados. Enquanto dono, ele possivelmente vai lucrar mais com esse passo. Vai ser bom pra todo mundo, então.

Não sou eu que estou dizendo. Quer dizer, acredito nisso por uma série de fatores, mas é a própria OECD que diz que a desigualdade salarial (aquele gap entre quem ganha mais e quem ganha menos) é uma barreira para o crescimento econômico.

Dan Price fundou a empresa aos 19 anos, para ajudar empresas independentes a receberem pagamentos. Em 2010, aos 26 anos, foi homenageado por Barack Obama por seu espírito empreendedor e sucesso da empresa. Em 2014, Price foi eleito empresário do ano para a revista Entrepreneur, e já tinha um estilo de gestão bastante polêmico – por ser legal com seus funcionários, adotando uma política de “pode tirar o tempo que você precisar pra resolver sua vida sem ter seu salário cortado”. O que ele alega é que o colaborador trabalha muito melhor sabendo que seu emprego não está em risco se você precisar ir ao médico ou cuidar da sua mãe doente. Existem umas correntes de gestão, e eu só não posto aqui porque é um artigo que li há muito tempo e não achei agora pra linkar, que prega que empregador não é babá, e não tem que ficar controlando horário de funcionário.

É difícil. Porque sempre vai ter aquele cara que abusa. Mas, aparentemente, no geral, o benefício é auto-regulável entre os próprios funcionários, que vão se controlar pra não tirar mais tempo que o colega, e que vão entender que cada caso é um caso. Pra evitar abusos, o funcionário pode ter que se reportar a um superior, ou talvez você precise implementar uma gestão por metas e métricas bem definidas (mas, por favor, não impossíveis de serem cumpridas durante o horário de trabalho, senão não adianta nada dar um tempo pro caboclo!).

* * *

Bom, enfim, Dan Price tem um estilo de gestão que, aparentemente, é adequado para nossa época. Dan Price não tem medo de ousar. O rapaz faz questão de dizer em toda entrevista que o principal valor da empresa é a preocupação com o cliente. Vale ficar de olho na evolução da Gravity Payments nos próximos meses. Sim, há toda a publicidade que a Gravity Payments está recebendo com a novidade, e isso influencia no faturamento. E também há o fato de que empresários estão torcendo secretamente para que essa ideia naufrague, senão vai virar moda. Considerando que a desigualdade social no mundo é um problema grave, suponho que diminuir a desigualdade de renda no próprio ambiente de trabalho seja um primeiro passo para a des-concentração da renda. Requer uma mudança de mentalidade que quem está torcendo contra não quer ter – ninguém quer mexer na sua fatia do bolo e dividir com quem faz seu negócio acontecer.

Vamos acompanhar. Eu aposto que vai ser bom. Que o faturamento da empresa não será indecente, mas que há de prosperar nos próximos dois anos, se as coisas correrem normalmente, sem algum fator fora da curva que ameace o negócio, claro.

Ficarei de olho.