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Sobre inovação, mudanças e autenticidade – sobre David Bowie

Sobre inovação, mudanças e autenticidade – sobre David Bowie

Morreu David Bowie. E talvez os amigos de vocês sejam como os meus, que encheram suas redes sociais de homenagens a um dos maiores artistas pop do século XX – e que trouxe o século XXI ao século XX mais de uma vez. E se seus amigos não ligaram muito – nem você -, eu explico. Se ligaram, e se você também foi um dos que homenagearam o homem das estrelas que caiu na Terra, fica aqui mais um pouquinho. E me abraça. 🙂
Para além de suas canções, David Bowie foi uma inspiração nos quesitos INOVAÇÃO e AUTENTICIDADE em negócios, sim. Porque a música no século XX, gente, é um negócio. É arte, e a dele era MUITO arte, mas não dá para negar: música é negócio. Na dúvida, leia este artigo da Superinteressante, sobre como o próprio Bowie levantou US$ 80 milhões negociando músicas no mercado financeiro. Vamos combinar que arte é negócio também?
Bowie desafiou convenções de tempo, espaço e gênero, cantando sobre astronautas nos anos 1960, criando personagens, se vestindo em technicolor quando a TV acabava de ficar colorida e se reinventando a cada disco – não apenas seguindo tendências, mas FAZENDO a tendência. Ajudou a derrubar o muro de Berlim, fez literatura cyberpunk (e transformou em disco e em artes plásticas), lançou single pela internet e fez streaming de show em plena era de internet discada, e criou seu próprio provedor de internet para poder distribuir conteúdo sem restrições para seus fãs. PARA PODER DISTRIBUIR CONTEÚDO. ONLINE. SEM RESTRIÇÕES. PARA SEUS FÃS. E até dois dias antes de morrer, estava ali, lançando disco. Como se não bastasse, sabia que ia morrer e fez o que? Fez arte.
Primeiro, deixou este vídeo, praticamente um curta-metragem:
Something happened on the day he died
Spirit rose a metre then stepped aside
Somebody else took his place, and bravely cried.
 Depois transferiu sua “alma” para outro corpo – o musical “Lazarus”, onde Bowie é substituído pelo ator Michael C. Hall, é, segundo a Rolling Stone, “uma reflexão de duas horas sobre luto e esperança perdida”. E numa performance para TV de divulgação do musical, o que ele faz? Faz este texto, dando a entender que David Bowie vive, agora, em outro corpo. E quem executa é Michael C. Hall.
Na sequência, Bowie nos presenteia com esta pérola:
E parte de volta para as estrelas.
A lição que fica pra gente, além de não ter medo de inovar, é a de ser você mesmo. Sim, você pode criar personagens, mas você vai continuar sendo David Bowie. Porque assumir personas é necessário na vida. Você pode ser artista plástico, músico, escritor, chef de cozinha, e vai ter que ser homem ou mulher de negócios – porque este é o seu negócio, não é? Você pode ser ícone queer, drag queen, dançarina burlesca, e pode ser pai e mãe de família com um casamento sólido, porque uma coisa não tem nada a ver com a outra e o que você faz no palco é uma coisa e em casa é outra. Você pode ser o que você quiser e se sentir confortável com isso e fazer disso uma carreira. Você pode explorar suas multipotencialidades combinadas, e ainda fazer disso um negócio.
“Ah, mas ele era David Bowie”. Olha, por sua biografia, seus pais eram pessoas bem normais – filho de uma garçonete e de um promotor de vendas, viveu num subúrbio de Londres, mas estudou arte. E levou a sério seus estudos. E começou a fazer o que gostava antes mesmo de começar a estudar formalmente. E levou a sério, e transformou em carreira. E ele colou em quem podia ensinar algo, absorveu com disciplina e virou David Bowie.
Eu posso. Você pode.
Nos podemos ser como David Bowie: nós podemos ser nós mesmos. Nem que seja por um dia.
E bora abraçar mudanças:

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A arte de comunicar

 Se você me conhece, sabe que nos fins de semana sou cantora (de jazz, dixieland e afins) e desenvolvo um trabalho com dança e fitness usando bambolês. Durante a semana, a performer dá lugar à consultora de comunicação e conteúdo. Mas a performer dá mesmo lugar à consultora de comunicação? Ou apenas tira o glitter do rosto e usa umas roupas mais discretas?

Comunicar bem é uma arte (especialmente quando a arte é um ofício, pois requer, sim, estudo, treino e dedicação full-time). Para comunicar, espalhar e amplificar mensagens e ideias, tem que dominar técnicas e instrumentos bastante específicos; tem que saber amplificar direito, para não dar ruído nem microfonia; tem que ganhar a audiência nos primeiros cinco minutos, tem que fazer o espetáculo completo, mas também tem que deixar um gosto de “quero saber mais”; tem que inovar, apresentar novidades, conhecer e experimentar novas tecnologias, mas tem que usar o tradicional e já testado se for mais adequado; tem que engajar a audiência, tem que interagir; tem que pensar no visual e em como a mensagem vai ser embalada; tem que ser humano.

Tem que conhecer bem seu público; tem que ter empatia; tem que comunicar com sinceridade, amar o que faz e acreditar na mensagem que você passa; tem que ter segurança sobre a mensagem que você passa, e saber se você quer levar ao maior número possível de pessoas ou se prefere uma audiência mais qualificada; tem que ajustar o tom pra não desafinar.

Pensando bem, a performer só trocou o palco por documentos no google drive, reuniões no skype e apresentações em powerpoint, mas a ideia é basicamente a mesma. E na hora de fazer uma apresentação, dar uma aula ou palestra, é praticamente a mesma coisa, mas com uma maquiagem bem mais discreta. Ou não, já que as aulas de canto ajudam muito a colocar a voz e a respirar melhor, e o bambolê… o bambolê é sempre um prop interessante numa palestra… ou você já viu palestrante rodando bambolê? 😉

 

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