Organizações ligadas ao universo da propriedade intelectual – escritórios de advocacia, agentes da propriedade intelectual, associações, escolas – são essenciais para proteger ativos intelectuais que movem a economia. Mas quem te ajuda a ter os direitos sobre o SEU conteúdo?
O seu conteúdo é um ativo que deveria trabalhar por você, pelo seu posicionamento e pela sua autoridade. O problema é que as equipes de marketing estão, cada vez mais, jogando esse patrimônio nas mãos de grandes empresas de tecnologia, e apenas delas.
A ironia da dependência das big techs
Depender exclusivamente de redes sociais é um grande risco porque você entrega o controle do seu principal ativo digital para empresas de tecnologia que podem suspender seu perfil ou mudar as regras de entrega (o famoso algoritmo) a qualquer momento, sem nenhuma transparência.
Ninguém me contou, eu vi perfis de rede social sendo suspensos por suposta atividade não condizente com as políticas das plataformas, sem explicação clara sobre o motivo da punição. Quando você constrói toda a sua presença online em um “terreno alugado”, você não tem controle algum sobre o que produz.
O seu conteúdo precisa de um endereço próprio
Mas e aí? Onde o profissional de propriedade intelectual deve publicar seu conteúdo?
Você tem canais próprios – a newsletter da associação, o blog do escritório, o site institucional. Isso garante que o material trabalhe permanentemente pela sua autoridade, atingindo diretamente seus clientes sem depender de algoritmos de terceiros. Tem post que gera tráfego há anos! Use-o.
Eu vi conteúdo riquíssimo que deveria ser expandido para estar no blog do seu escritório e trabalhar pela sua autoridade de forma permanente, ou que poderia ser uma newsletter e chegar diretamente à caixa de entrada dos seus clientes. Mas, em vez disso, está apenas em uma plataforma de mídia social com uma audiência que, muitas vezes, está mais interessada em postar fotos de viagem (aquela outra plataforma, você sabe).
Nada contra mídias sociais, veja bem. Elas são ótimas para alcance e distribuição. Mas depender exclusivamente delas para a entrega do seu conhecimento é um erro estratégico grave.
Conteúdo raso não educa o cliente de Propriedade Intelectual
O uso excessivo de inteligência artificial para criar conteúdo apenas para cumprir calendário também gera outro problema: textos rasos e genéricos. Esse tipo de material não conecta com o cliente e falha no objetivo principal: educar o público sobre a necessidade e a importância de proteger seus ativos.
Eu vi muito, mas MUITO conteúdo raso feito com IA apenas para agradar algoritmo e cumprir calendário (afinal, você contrata um pacote de uma agência, não é mesmo?), mas que não conecta com o seu cliente em potencial. E nós sabemos que esse cliente ainda precisa ser muito educado sobre a importância de proteger seus ativos (o tanto de empresa que desenvolve coisas maravilhosas e não protege uma marca, um app, um segredo de negócio, meu pai!).
Quem cuida dos ativos de quem protege os ativos dos outros?
Você ajuda seus clientes em relação à proteção de seus ativos intangíveis, mas quem ajuda você com os SEUS ativos digitais?
Eu me importo com o setor de Propriedade Intelectual a ponto de investir em formação contínua na área. Faço isso porque entendo a importância estratégica da PI para o ecossistema criativo e de inovação, para a indústria e para a remuneração justa de criadores, desenvolvedores e inovadores.
Seu conteúdo é o seu patrimônio intelectual na internet. Não deixe ele refém de plataformas. Qualquer coisa, me chama para conversarmos sobre como estruturar canais próprios para a sua autoridade.

